Por que não existem zebras - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

370 leituras ·  4 avaliação média ·  195 avaliações

Por que não existem zebras - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.modo_copa e translation missing: br.categories_name.radar-12min

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

Em maio de 2016, a casa de apostas William Hill fez as contas e descobriu que ia pagar cerca de três milhões de libras a quem havia apostado no Leicester City antes do início da temporada inglesa. A cotação que ela oferecia para o clube ser campeão era de cinco mil para um, a mesma que dava, na época, para encontrarem o Monstro do Lago Ness. O Leicester foi campeão. Logo depois, a William Hill avisou que não ofereceria mais nenhuma cotação acima de mil para um. A lição que ela tirou não tinha nada a ver com sorte. Tinha a ver com conta mal feita.

No futebol, a palavra zebra nomeia o resultado que ninguém viu chegar. Ela vem carregada de uma suposição: a de que o favorito tropeçou por acidente e o azarão venceu por acaso. Quando se olha de perto o que esses azarões fizeram para chegar lá, o acaso vai embora.

O Leicester de Claudio Ranieri não tinha o elenco mais caro nem o futebol mais bonito. Tinha a melhor estrutura para o que se propunha. N'Golo Kanté, comprado por uma quantia modesta do Caen, liderou a Premier League em desarmes e interceptações, com quase cinco desarmes e mais de quatro interceptações por jogo. O time venceu onze dos dezessete jogos que disputou fora de casa. Jamie Vardy, que poucos anos antes jogava em divisões amadoras e trabalhava numa fábrica, marcou em onze partidas seguidas e quebrou um recorde da liga. Steve Walsh, o chefe de recrutamento, montou aquele elenco garimpando jogadores subavaliados por dado, não por instinto. O que parecia destino era planilha.

Doze anos antes, a Grécia tinha feito coisa parecida na Eurocopa de 2004. As casas davam cento e cinquenta para um. Otto Rehhagel, o técnico alemão, não tinha estrelas à disposição, então construiu um sistema. Montou uma defesa que os jogadores repetiram até automatizar, venceu todos os mata-matas por um a zero, anulou a Portugal de Cristiano Ronaldo e Luís Figo duas vezes (na estreia e na final) e levantou a taça com gols de bola parada ensaiada. O capitão Theodoros Zagorakis saiu eleito o melhor jogador do torneio. Disciplina não é o contrário de talento. É talento posto dentro de um plano.

Existe uma explicação para essas viradas serem mais raras do que o folclore esportivo faz parecer, e ela não vem do futebol, vem da biologia. Stephen Jay Gould, paleontólogo de Harvard, passou quinze anos atrás de uma pergunta do beisebol: por que ninguém mais batia uma média de quatrocentos, marca que não aparecia desde 1941. A resposta dele, no livro "Full House", inverteu a lógica. O grande rebatedor não sumiu porque o beisebol piorou. Sumiu porque o beisebol melhorou. Quando o nível médio sobe e todo mundo encosta no limite físico do que um corpo humano consegue fazer, a distância entre o melhor e o pior encolhe. Os dados de Gould mostram isso: o desvio entre as médias foi diminuindo década após década. Os pontos fora da curva desaparecem porque a curva inteira ficou mais estreita.

É aqui que a conversa interessa a quem nunca pisou num gramado. Anders Ericsson, psicólogo da Florida State University, passou três décadas estudando o que separa o expert do amador no xadrez, na música, na medicina e no esporte. A conclusão, reunida no livro "Direto ao Ponto" (Peak, no título original, disponível no 12min), é que o talento de berço explica muito menos do que se imagina. O que explica é a prática deliberada: treino estruturado, feito fora da zona de conforto, com feedback imediato e correção constante. Não é repetir por repetir. É repetir mirando o erro.

Junte as duas ideias e a tese se fecha. Se a excelência se constrói por prática deliberada, e se a elite inteira treina assim, o resultado é exatamente o campo comprimido que Gould descreveu: sem azarão de verdade. A zebra não é o time fraco que bateu o forte. É o time que preparou melhor uma fração do jogo e foi cobrar essa diferença na hora exata. O Leicester e a Grécia não furaram o sistema. Eles eram o sistema rodando direito.

o que fazer com essa informação

Para quem cobra resultado. Pare de classificar concorrentes em favoritos e azarões. Trate todos como preparados, porque quase sempre estão. A vantagem que decide raramente é o lance genial, é a parte do processo que você ensaiou mais do que os outros. Vale mapear onde a sua operação tem "bola parada treinada" e onde ela ainda improvisa no susto. A diferença entre ganhar e perder mora nessa fração.

Para quem acompanha o jogo de fora. A zebra é uma das histórias mais antigas que contamos sobre nós mesmos, a do pequeno que derruba o gigante. Ela sobrevive porque é boa de contar, não porque é frequente. Repare que, a cada Leicester, existem temporadas e mais temporadas em que o favorito confirma o favoritismo sem drama. O mito diz mais sobre a nossa vontade de acreditar na virada do que sobre a realidade do placar.

Para quem desconfia do próprio preparo. Tem um alívio escondido nessa história. Se o talento de nascença pesa menos do que a prática estruturada, então o teto não é herdado, é construído aos poucos. Não é preciso ter vindo com um dom para chegar longe num ofício. O que os dados de Ericsson sugerem é simples: o caminho do começo ao bom é menos sobre dom e mais sobre treino bem desenhado, com tempo e correção. Está tudo no 12min, se quiser se aprofundar no tema.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?